07 junho 2016

O Fim do Bordão no Humor Brasileiro?


                       Chico e seu bordão : " E o salário, ó!"

Pouca gente percebeu, mas a mudança foi radical: sumiram com os bordões no Zorra Total.
O “bordão” - que ainda encontramos em personagens da Praça da Alegria, é um dos pilares do nosso humor latino que provém da Commedia Dell'arte italiana.

O bordão caracteriza cada personagem de comédia popular. Bordões ficaram famosos por séculos e séculos. Sempre funcionaram enquanto nosso humor tinha por matriz a Península Ibérica e a Comédia Franco Italiana, ou seja, enquanto latinos.

A invasão cultural neocolonialista vinda dos EEU chega arrasando a terra já cultivada. O humor estadunidense não tem bordões. Não tem origem latina. Seguindo esta linha os bordões foram retirados do humorístico na  tela platinada.

Sinal dos tempos, e não há jeito de ser de outra forma. Mas é lamentável que até no humor seguimos o modelo norte americano abrindo mão das nossas origens culturais.

Pra quem ainda não localizou o bordão, por exemplo, o Zebedeu tinha um: “Não me queira mal que eu só sei querer bem. ” O Brasilino que eu fazia na Escolinha tinha o seu: “Só se for na França”. O cômico Zé Trindade tinha um famosíssimo em seu tempo: “O negócio é mulher! ”. Zezé Macedo com Dona Bela tinha o bordão “Ele só pensa naquilo!”.

Assim como um dia a turma da praia de Ipanema determinou que contar piada era brega e as piadas foram desaparecendo do cenário nacional, assim como a turma do Rio determinou que stand up não pode contar piada e as piadas foram sumindo dos shows de humor, agora são os redatores de humor, mais jovens, que determinam o fim do bordão.


Melhor para o humor? O tempo e os costumes dirão. 

"O Senhor è O Famoso Quem?"

O cão era até mais famoso que o Cabo Rusty



Pra  mim não existe frase que retrata tão bem o individualismo e a supervalorização do ego no sistema capitalista que esta frase: O Senhor é o Famoso Quem?
Ela provém do conceito do “ser famoso”. Mas este “ser famoso” para quem usa da pergunta tem por referência uma ideologia e uma mídia mais comprometida com o ter que com o ser.
Também se esquecem as pessoas que formulam tal frase que o casal Nardoni é famosíssimo, e também a Suzane Richtentofen, somando a esta fama o goleiro Bruno e tanto outros. Paulo Maluf também é famoso. Nos EEUU os condenados à morte têm até fã clube de tão famosos que se tornam.
Escrevo isto para que fique claro para os “O senhor é quem? ” que ser famosos até o Rin-tin-Tin o foi.
Fiquem de presente com todos os seus “famosos”, até porque quem cultua famosos está idolatrando, e idólatras não são bons cidadãos nem boas pessoas.

Quanto mais envelheço, quanto mais vivo, mais busco a humildade e a compreensão de que os humildes, os simples de espírito, herdarão a terra, e eles sim, são os famosos que autorizo.

02 junho 2016

Que Tal Iluminar Nossos Cantos Escuros?





Todos temos nossos pontos trevosos. Cantoss escuros em nós mesmos, na nossa vivência e no nosso existir,  que recusamos a ver, sendo portanto na maioria das vezes melhor  deixá-los nas trevas para que não tenhamos que tratar deles.
Vejam bem o termo que usei, até sem querer: “tratar deles”. Isso quer dizer enfim: curá-los.
Em nossas trevas  vivem vermes, fantasmas, miasmas, fungos e monstros. Todos nossos.  A escuridão os alimenta.
Quando a gente tem uma ferida ela precisa de duas coisas além dos medicamentos usuais: oxigênio e luz. Pois a permanência na escuridão, sem ar e sem luz, fará proliferar as bactérias e a infecção.
Assim é com a nossa vida. Quando nos atrevemos a iluminar estes cantos escuros não tenhamos medo, estamos trabalhando para a cura das “ purulentas infecções” com as quais, sem o querer, compartilhamos o que deveria ser vida limpa e saudável.
Comece hoje mesmo. Pare um pouco e olhe para dentro de si mesmo. Jogue luz sobre seus medos, seus terrores...como diz a letra de Caetano : "Nada é  pior do que tudo que você já tem dentro do teu coração mudo".
Você é dual como o Universo: carrega com você a luz e as trevas.  Use sua luz. Ilumine a sua escuridão.

31 maio 2016

A Natureza Estaria se Vingando? Porque Odiamos a Mãe Terra?


                      Minha mulher, Dôia, nas cascatas de Alto Paraíso. Boas lembranças.

O primeiro líquido que conhecemos é o amniótico, quando ainda estamos sendo gestados no ventre materno. Somos gestados na água. Sessenta e cinco  por cento do nosso corpo é água. A humanidade e todos os seres vivos viemos das águas primevas. Toda a vida no Planeta surgiu das águas. As águas do Planeta foram, e são, o grande líquido amniótico da grande mãe Terra que nos trouxe a vida.
E não agradecemos esta dádiva. Não cuidamos, não resguardamos, não respeitamos este presente da Criação. Agimos como se fossemos órfãos, ou melhor: como se nada tivéssemos a ver com as águas, como se elas fossem estranhas a nós, ou nossas inimigas.
Pus-me  pensar sobre como a Terra pode se vingar da maneira como a tratamos. Pois se no lugar do líquido amniótico tivéssemos no ventre materno uma lama tóxica, como est que hoje envenen o Rio Doce? O que seria de nós? Da vida?
Neste rastro descubro que o Rio São Bartolomeu, que banha Brasília e que tem 200 km de extensão, está secando, está poluído, está morrendo, devido a um processo intensivo de ocupação do solo por atividades agropecuárias, mineradoras, e parcelamentos com a transformação de áreas rurais e zonas urbanas. Estas áreas levaram à perda da vegetação natural e à impermeabilização do solo.
Logo o São Bartolomeu, onde em Alto Paraiso de Goiás, eu e Doia nos banhamos e passamos horas de lazer em suas cascatas. Imaginem uma cidade verde, harmoniosa, no Brasil Central fazendo racionamento de água porque a Natureza não está podendo mais ser generosa como antes.
As águas são, por assim dizer, o princípio feminino da Natureza. Porque todo esse descuido, esse ódio encoberto no trato com este princípio?
Se queremos receber amor temos que dar amor. Se não a Natureza se vinga, os rios secam, os oceanos tornam-se estéreis, a lama tóxica destrói a vida, e a protetora água materna nos será negada e nos levará ao fim.

29 maio 2016

Aborto é Coisa Pra Macho






Há poucos dias postei no meu canal do youtube um vídeo onde dizia que a mulher é a única dona do seu corpo, e que, portanto, cabia a ela decidir sobre aborto.
Obtive dezenas de comentários sobre o assunto. Na sua maioria todos de acordo com o vídeo. Mas o curioso que os que se posicionaram contra o aborto, uma minoria doas comentários, mas foram de homens.
No vídeo eu denuncio exatamente este patriarcalismo que procura monitorar e decidir pelas mulheres sobre seu corpo. E as respostas reacionárias que tive vieram exatamente te de homens, confirmando o patriarcalismo de que falei.
Um deles justificou dizendo-se espírita.
Não se trata de religião, trata-se de saúde pública. O Estado é laico e não pode continuar permitindo a morte de milhares de mulheres pela prática clandestina do aborto.
Chega de hipocrisia. O aborto existe desde os tempos bíblicos, no Velho testamento, em Números 5, quando Deus aparece a Moisés e recomenda que se um marido desconfiar do adultério de sua mulher deve dar de beber à ela da água amarga para que ela abortasse caso o tenha traído.
Mas isto é discussão sem fim. Teologia.

Registro aqui, apenas, a manifestação patriarcal e machista contra o aborto através dos comentários no meu canal de youtube.

25 maio 2016

Vamos Parar Com Essa Coisa de Fobia pra Tudo

É gorda e pronto. Tem quem goste, tem quem não goste. Quem não gosta não é fóbico. Só isso.



O tal do “politicamente correto” já de há muito encheu o saco. Agora a moda são as "fobias". Se você não come hambúrgueres pode ser acusado de "hamburguerfobia". Uma bobajada só. Fobia é coisa muito além da distinção que fazemos das coisas e pessoas. Fobia é coisa séria, profunda, que exige tratamento e acompanhamento psicanalítico ou psiquiátrico.
Usando o Hoauiss, fobia é “medo exagerado” ou ainda “estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados ".
Aí eu leio no Portal do R7 sobre a Mulher Vulcão ( http://noticias.r7.com/hora-7/fotos/explodiu-na-web-mulher-vulcao-derrete-coracoes-e-levanta-bandeira-contra-a-gordofobia-18112015#!/foto/1 )  , uma cidadã de Natal – RN, que muito gorda levanta a bandeira contra a “gordofobia”.
Que gordofobia nada. Ela é gorda e pronto. E quem a vê sabe e diz que ela é gorda. Gordofobia nem existe catalogada entre as doenças. Mas -  como eu disse, - a moda agora é taxar qualquer distinção como fobia.
Nascemos com o dom de distinguir. Separar as coisas: isto é vermelho, isto é verde. Isto é molhado, isto é seco. Isto é jiló, isto é, maxixe. E com isso decidimos do que gostamos ou não. Um amigo meu recusou uma relação com um homossexual. Foi taxado de homofóbico. Ah, qual é? Vamos respeitar. Ele não gosta de relações homossexuais, ou talvez, para maior ironia, não gostou DAQUELE homossexual. Talvez um outro... (risos)
Vamos com calma, distinguir, nomear, reconhecer coisas e pessoas não denota aversão ou fobia. Denota escolha.
Nem fobia, nem discriminação persecutória. Fobia é incontrolável, pertence ao terreno do inconsciente, deve ser tratada. Discriminação persecutória como o racismo ou crimes de gêneros é caso de polícia e Justiça.
O resto é a boca do povo usando o termo  “fobia” pra tudo, como no tempo em que para qualquer  comportamento se dizia brincando “Freud explica”, e sabíamos Freud não tinha nada a ver com o fato.

23 maio 2016

A Mulher, e Ninguém Mais é Dono do Seu Corpo




Quando se é criança o mundo tem uma magia toda especial. Cheiros, gostos, luzes... que irão se perdendo à medida em que nos tornamos adultos.
Não tenho prova científica mas afirmo que o olfato infantil, por exemplo, detecta odores que passam desapercebidos a nós adultos.
Pois foi nesta meninice, num subúrbio do Rio que meu olhar infantil viu,  sonhando acordado, uma realidade diversa à dos adultos.
Tínhamos uma vizinha muito simpática. Generosa mesmo.  Dona Eurídice. Um amor de criatura, para mim. Mãe de um amiguinho meu. Apenas um muro de um metro e pouco separava nossos quintais e jardins.
Dona Eurídice era uma santa para mim. Muito prestativa. Minha mãe me  dizia que ela era uma parteira. E eu ficava maravilhado por saber que a mãe do meu amiguinho trazia bebês ao mundo.
Cresci , o mundo permaneceu o mesmo, mas meu olhar mudou. Vim perceber que a querida Dona Eurídice não era parteira coisa nenhuma, era “aborteira”. Procurada por mocinhas das mais diversas classes sociais que desejavam livrar-se, por várias razões, da vida que traziam no ventre.
Nem por isso Dona Eurídice deixou de ser para mim uma pessoa querida. Prefiro continuar a vê-la com meus olhos do menino de ontem , e a pensa-la hoje com meu juízo de adulto.
Dona Eurídice já partiu deste mundo, fez a sua parte. Mas  centenas de mulheres continuam morrendo em todo o Brasil, todos os meses, pelas mãos  de “parteiras” como Eurídice, e pela letra da Lei patriarcal, que nega tais mulheres à busca de soluções à margem da Sociedade, criminalizadas e  correndo riscos .

19 maio 2016

A Corrupção Dentro de Nós




Tempos de cair as máscaras dos corruptos. Tempo de iluminar as trevas onde campeia a corrupção. Até aí tudo bem, tudo muito simples, e não se fala em outra coisa
Mas na verdade a pior corrupção começa mesmo é dentro da gente.
Mas, diz um velho sábio que a corrupção não se limita a receber dinheiro por baixo da mesa. A corrupção começa dentro da gente. A partir da corrupção da nossa essência humanista. Quando em nosso egoísmo pensamos apenas em nós , em nossos interesses, em nossos desejos...aí já começa a corrupção. A corrupção primeva que nos levará a outras. Porque pelo meu ego sou capaz de subornar e ser subornado, corromper e ser corrompido.
Dentro de nós mesmos começa a brotar a plantinha da corrupção. Na batalha pelo Poder, sucesso, fama,  dinheiro e riqueza,  seremos capazes de esquecer do próximo, passar por cima de obstáculos, ferir a ética e até mesmo o lícito para alcançarmos os objetivos traçados por nosso individualismo.
Então, ao apontarmos o dedo para o corrupto que conhecemos, lembremo-nos que há quatro outros apontando para um corrupto que a gente não percebe, e que está dentro de nós.
Combatamos a corrupção sim, a começar pela nossa,  a corrupção do humano,  início de todas as outras.