30 março 2014

O Golpe III - A Conivência Civil Que Sustentou a Ditadura

                        A nefanda figura do banqueiro Magalhães Pinto, Gov. de Minas em 64


Concordo com Leonel Brizola quando disse que "houve o Golpe dentro do Golpe."

Um movimento civil-militar com apoio da Igreja católica; de Banqueiros e Industriais; Artistas e apresentadores de rádio e tv;  de jornais, rádios e televisões;  da Classe Média Udenista e raivosa; das mal-amadas lacerdistas; dos Governadores dos três principais Estados da República; com traidores infiltrados em todos os escalões da luta popular...foram a base popular que a CIA , os EEUU e os Generais que sempre conspiraram á sombra para defender em último caso os interesses norte americanos na América Latina, necessitavam para deflagar o mais antipopular golpe contra as instituições democráticas do Brasil, e contra todas as conquistas e movimentos populares.

Generais que entregaram a Nação que juraram defender; que retalharam o País em troca do apoio da VI Frota ianque - com 100.000 toneladas de bombas -  encostada na Costa Brasileira para apoia-los caso houvesse maior resistência por parte das forças legalistas.

Seriam capazes de permitir intervenção militar norte-americana na Nação que juraram dever soberania desde que fossem vitoriosos nas suas vaidades  e onipotência.

Pouco se importariam se as botas norte-americanas pisassem e dominassem o solo Pátrio. E agora vem falar de Golpe pela defesa do País. Que hipocrisia.

Essa era  alta cúpula do Estado Maior das Forças Armadas. Esse era o caráter dos que nas sombras conspiraram contra o povo.

A eles pouco importava que o Brasil se tornasse uma República de Bananas, desde que eles chegassem ao Poder.

E uma vez chegadas "as vacas fardadas" - como se autonomeou o general Olympio Mourão Filho-  ao Poder Supremo da Nação deram o Golpe dentro do Golpe.

Afastaram , cassaram as lideranças civis do golpe, e assumiram todo o controle do Brasil,  desde a Economia aos Costumes.

A mediocridade e a imbecilidade apossou-se não só do País, mas abriu caminho para todos os demais medíocres, bandidos e criminosos do Chile, da Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai, que enlameando a farda pátria massacraram seu próprio povo e as liberdades.

Esse foi o Grande Projeto de Tio Sam de transformar o Cone Sul em seu quintal mais subserviente.

Esse não podia ser o Exército que enfrentou o Nazismo e a luta pela democracia na II Guerra.

Essa era uma quadrilha  aproveitadora  enxovalhando a Instituição, com efeito vergonhoso por  dezenas de anos a fora,  cuja triste memória por mais que desejem não se apaga.

Mas...nestes 50 anos do Golpe Civil-Militar é preciso nomear para a História não  só os militares e agentes públicos torturadores, assassinos, traidores da Pátria e da Constituição.

É preciso que se nomeie alto e bom som os civis, empresas, instituições, segmentos...que pediram o Golpe, que sustentaram o Golpe, que embalaram, o sonho golpista do que convencionamos à época chamar de "Gorilas" não só devido ao porte simiesco, mas sobretudo à minúscula e estúpida inteligência de que eram dotados.

As Forças Armadas que abrigaram tais transgressores da Lei e da Ordem devem desculpas à Cidadania e à Nacionalidade.

Mas é preciso sobretudo identificar e denunciar sempre aqueles da sociedade civil  que por oportunismo deram respaldo aos traidores que conspiraram contra nós, contra o Povo Brasileiro: das redações às sacristias, dos escritórios executivos às repartições civis.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Disse tudo. As feridas ainfa sangram, e os corpos martirizados esperam q se dê nomes aos seus carrascos. Temos o dever, os q sobreviveram ,de honrar suas memórias. Ñ podem ter morrido em vão.

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