13 setembro 2011

A CRIACÃO DA PERSONAGEM ZEBEDEU


A princípio Avancini não me convidou para fazer  o Zebedeu. Queria que eu fizesse um cangaceiro,  que seria o braço direito de Tirana.

Nem o salário, nem a personagem me satisfizeram e declinei do convite feito.

Quinze dias depois ele me chamou e me pediu para fazer o Zebedeu. Antagonista de Tirana.
Melhor salário e personagem, prontamente aceitos.

Ao me explicar a personagem dissera-me que seria um bandido corajoso, impiedoso...mas na véspera, ao lado da crítica ao meu futuro trabalho de ator ele mudou o texto e me colocou logo  na primeira cena com Tirana me humilhando  e me espancando,  e eu sem reagir.

Fui à ele indignado, isso destruiria minha personagem como homem de coragem, valentia.
Ele me disse: -É assim e não se discute.

Virei a noite anterior à primeira gravação, sem dormir, pensando em como sair daquela situação.
E descobri: Tirana ia  bater em Zebedeu  porque estava com vinte homens em armas  apontadas para ele  e sua mulher , a Baiana. Só batia porque era superior em número, e amparado por seus cabras. Ou seja, se eu soubesse interpretar a reação  ao tapa usando apenas o olhar de Zebedeu como denúncia,  Tirana estaria desmascarado em sua “coragem”.

E foi o que fiz: ao receber o tapa, Zebedeu levanta-se do chão, olha as armas em volta, vê a superioridade e não pode reagir diante da covardia perpetrada.
Ali no primeiro capítulo driblei Avancini, Zebedeu fora  superior a Tirana,  e comecei  a  vida da minha  personagem.

Dali em diante a personagem foi trabalhada em cumplicidade com meu psicanalista, Luiz Alfredo Milecco,  que me orientou: “Zebedeu é como um primata. Não tem sequer consciência da vida e da morte. Tudo pra ele é festa. É erotismo. Levar tiro, matar, ferir, ser ferido, tudo é vida para ele.É Eros.”

O restante do trabalho foi apoiado na Graça do talento que recebi, no meu feeling de comédia, na minha vivência nordestina, e no apoio solidário que recebia de todo o meu bando. 

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